sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Pela 1° vez a CBF pode ser multada pela homofobia em estádios

A Fifa investiga a CBF sobre os gritos de “bicha” na Arena Manaus durante eliminatórias da Copa 2018.

Arena Amazônica - Divulgação
Arena Amazônia - Divulgação


A homofobia está presente em muitos segmentos da sociedade e lamentavelmente também está presente no esporte. Mas parece que algo na Fifa está mudando para melhor no sentido de punir comportamentos homofóbicos.

Em um recente episódio na Arena Amazônica em 06 de setembro, durante partida entre Brasil e Colômbia , segundo observadores da FIFA que estavam presentes no local a torcida brasileira gritou “bicha” no momento que o goleiro adversário David Ospina cobrava os tiros de meta.
Já foram multados pela Fifa por comportamento homofóbico: Argentina, Chile, Peru e Uruguai. O México, na Concacaf (confederação das Américas do Norte e Central), também já foi punido por essa razão. As multas variaram entre R$ 20 mil (Peru e Chile) a R$ 75 mil (Argentina e México).
Por outro lado, na contramão do retrocesso, o time de futebol St. Pauli, de Hamburgo considerado um clube diferente, libertário e revolucionário, tem se mostrado muito aberto a diversidade e contra qualquer tipo de preconceito. O time colocou no estatuto ser um time antinazista, antirracista e anti-homofóbico. Mas, para conseguir se posicionar e manter a posição de um time que não tem preconceitos, o St. Pauli precisou expulsar da torcida as pessoas de extrema-direita que promoviam as ações de discriminação.

Torcida do clube alemão St. Pauli
Torcida do St Pauli - Divulgação


É de conhecimento de todos que dentro dos estádios existem comportamentos homofóbicos principalmente por parte da torcida, esse triste cenário, por incrível que pareça não é novidade para ninguém. Sabemos que só multar não resolverá o problema, mas já é um começo.  Como falou à Folha de São Paulo o professor da USP, Flavio de Campos: "Oferecer a punição diretamente, sem um histórico de medidas, é hipócrita. No campo do futebol, o ideal seria uma campanha mundial contra a homofobia. Uma campanha educativa mais profunda, mostrando que se trata de uma violação de um direito básico do ser humano. Dar um toque no colega ao lado, fazê-lo entender as consequências da discriminação. Fazer faixas como aquelas contra o racismo. Apenas punir é inócuo, mas pelo menos tira as pessoas da zona de conforto, mobiliza o debate".

Fica o recado aos clubes brasileiros, busquem inspiração no St. Pauli, se reinventem, busquem novos caminhos para unir as pessoas, jamais para segregar ou oprimir.



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