terça-feira, 16 de junho de 2015

Recomendação a parlamentares e governantes do PSDB

Ao longo das últimas semanas, as votações de planos municipais e estaduais de Educação têm sido conturbadas por informações falsas, difundidas em sua maioria por lideranças religiosas, pressionando parlamentares e governantes a retirarem os artigos que tratam da inclusão de temas relacionados a identidade de gênero e orientação sexual.

Ao criar uma suposta "ideologia de gênero", essas lideranças religiosas têm distribuídos materiais falsos que seriam distribuídos às crianças, ensinando masturbação e outras práticas que não condizem com a educação infantil - fato que está sendo investigado pelo Ministério Público Federal, pois a difusão de informação falsa é crime.

Os verdadeiros materiais usados nesta vertente inclusiva da educação tratam unicamente de que pessoas diferentes existem e devem ser respeitadas. Por exemplo, em Guarulhos um livro infantil contava a história de uma menina que queria jogar futebol, para que não se imponha a ninguém o papel de gênero - ou seja, dizer que existem coisas só de meninas e coisas só de meninos.

Também usa-se o argumento de que este debate poderiam direcionar a orientação sexual de crianças que ainda não têm maturidade para abordar questões de orientação sexual e identidade de gênero. Entre as centenas de estudos acadêmicos que buscam entender cientificamente a origem da orientação sexual e identidade de gênero entre seres humanos, os autores são unânimes em dizer que não há evidência que sustente a ideia de que são escolhas ou que possam ser alteradas por fatores sociais e ambientais.

Educar para o respeito ao diferente é um dos papeis mais fundamentais que a escola pública pode ter, em especial num país em que a homotransfobia, o machismo, o racismo e a intolerância religiosa fazem vítimas diariamente. Este é um papel transformador da realidade social que apenas a Educação pode ter.

Sendo o PSDB um partido que prega, entre seus objetivos programáticos, o respeito às diferentes orientações sexuais e identidades de gênero, o combate a todas as formas de discriminação, e o papel social fundamental da Educação, reforçamos este apelo para que parlamentares e governantes do PSDB façam a devida checagem da veracidade das informações recebidas, e que procurem ouvir especialistas sobre o assunto, como pedagogos, educadores e psicólogos.

Apenas com o debate amplo será possível desmistificar essa questão e impedir que falsos argumentos definam a forma como milhões de brasileiros serão educados nos próximos anos.

Nós, do Diversidade Tucana, defendemos a educação inclusiva, que eduque para o respeito e a não-discriminação. Somente dessa forma poderemos ter um futuro sem homotransfobia, racismo e machismo. Somente dessa forma poderemos ter pessoas de todas as orientações sexuais e identidades de gênero sentindo-se bem vindas à escola, acolhidas pela educação, para buscarem um futuro melhor.

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