quinta-feira, 6 de junho de 2013

A vanguarda do retrocesso

Nesta semana, mais uma atitude de conservadorismo e censura foi dada pelo Ministério da Saúde. Após a repercussão de uma campanha de prevenção a DST/HIV/Aids voltada para profissionais do sexo, em que uma das peças trazia a foto de uma mulher com seus dizeres "Sou feliz sendo prostituta", o ministro Alexandre Padilha demitiu Dirceu Greco, chefe do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.



Não foi a primeira vez que a política para DST/HIV/Aids sofre com a censura retrógrada do Governo Dilma. No ano passado, uma campanha televisiva voltada para a população LGBT também foi tirada do ar, e uma revista idealizada pela UNICEF e UNAIDS teve sua distribuição suspensa, nos mesmos moldes do Kit Anti-Homofobia realizado pelo Ministério da Educação.

A política de prevenção a DST/HIV/Aids é coisa séria, deve ser feita sem hipocrisia, por profissionais de saúde que conhecem o acúmulo de conhecimentos e técnicas adquiridos nesses quase 30 anos de políticas públicas nessa área.

O ex-chefe do departamento, Dirceu Greco, denuncia: sofreu pressões de setores religiosos fundamentalistas. E conclui: o Governo Dilma é conservador! (leia matéria da Folha de S. Paulo aqui.)

Esse é só mais um dos descalabros que atestam um governo que colocou suas suspeitas e fisiológicas alianças com os mais nefastos setores da política brasileira acima de sua missão fundamental, que deveria ser a implantação de políticas públicas sérias e universais, ou seja, para todos e todas.


O PT, como partido que sempre esteve pronto a apontar o dedo e colar a pecha de conservador em outros partidos, se cala. Apesar disso, diversos militantes ligados ao PT demonstram sua indignação em redes sociais. Alguns chegam até a admitir: a política para DST/HIV/Aids regrediu em comparação à implantada por José Serra quando ministro da Saúde, que virou manchete de jornais no mundo todo pelo pioneirismo e coragem.

A diferença é clara. José Serra, quando ministro da Saúde, veiculou a primeira campanha televisiva voltada para homens gays no Brasil (veja o vídeo aqui) em 2002, mais de dez anos atrás. Em vez de dar passos à frente, o governo petista conseguiu fazer o debate e a implantação de políticas públicas regredirem.

Mais uma comparação pode ser feita aqui. O ministro da Saúde de Dilma é o preferido por Lula para ser o candidato do PT ao Governo do Estado de São Paulo. Enquanto Alexandre Padilha censura o trabalho dos profissionais da Saúde por conta de pressão religiosa, o governador Geraldo Alckmin, que nunca escondeu ser um católico devoto, disse durante a 17ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo que a diversidade é a maior riqueza do estado e que o Estado é laico (veja a matéria aqui).


Fica cada vez mais claro o efeito nefasto das alianças fisiológicas do PT e do Governo Dilma, que se sobrepõem até mesmo às vidas de seres humanos. Nunca antes na história deste país...

Um comentário:

  1. O texto foi muito bem colocado e contextualizado, ao relatar o retrocesso que nosso país tem sofrido nestes 10 anos de governo petista, quando vemos essa hipocrisia em não permitir uma divulgação preventiva aos profissionais do sexo, porém sabendo que os maiores consumidores destes serviços são os próprios políticos de nossa nação, fica clara a tentativa do governo de agradar dois deuses, ou melhor, dois senhores. O governo tem o dever de atuar de maneira apolítica, respeitando os direitos da população em geral e não por simples desejo de um grupo religioso deixar de exercer os programas de promoção da saúde e prevenção de doenças. Por fim é importante ressaltar que isso não impedirá as instituições de bem, sem fins lucrativos e que acabam cumprindo com os deveres do Estado em tentar mudar esse quadro, desenvolver ações de melhoria nas condições destes grupos minoritários e esquecidos por esse governo omisso e muito conservador!!!

    ResponderExcluir