Vereadora tucana é destaque na votação de projeto homofóbico no RJ

A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro aprovou um projeto de lei que proíbe a distribuição, exposição e divulgação de material didático sobre diversidade sexual no Rio de Janeiro. Elaborado pelo vereador Carlos Bolsonaro (PP-RJ), o PL 1082/2011 proíbe até orientações sobre o combate à homofobia e direitos dos homossexuais.


Nessa votação, como também na que rejeitou a criação do Dia do Orgulho Hetero, as duas vereadoras do PSDB, Andrea Gouvêa Vieira e Teresa Bergher, votaram CONTRA.


Mas o grande destaque desse debate foi o discurso da líder tucana, Andrea Gouvêa Vieira, que orgulhou muito ao Diversidade Tucana ao se mostrar tão sensível e sensata em relação à homofobia nas escolas.


    A SRA. ANDREA GOUVÊA VIEIRA - Depois que eu discuti essa matéria, meus colegas acharam que eu tinha sido muito suave, muito doce, pouco enfática, como normalmente costumo ser quando defendo minhas ideias. Mas o fui por duas razões. A primeira delas é porque eu acho que não adianta tentarmos convencer as pessoas, que já se formaram com uma ideia de que o homossexualismo é uma coisa ruim, pois já cresceram e foram formadas com isso na cabeça, a entender o que se quer quando se fala que é preciso que as escolas possam e atuem no sentido de preparar essas crianças contra a discriminação, contra o preconceito.
    Penso que é uma coisa que você não vai convencer no grito. É uma questão da formação de cada um. As pessoas que foram formadas com preconceito, dificilmente aceitarão que na escola seu filho possa aceitar ou achar uma companheira que é diferente dela uma pessoa normal. Isso prova que a reação de muitos Vereadores nesta Casa - acho que até a maioria dos Vereadores que se expressaram e que se expressaram favoravelmente a esse projeto - demonstra claramente que se nós não começarmos a preparar essas crianças de agora nas escolas, em casa, nas famílias, em todos os ambientes, sem esse preconceito, sem essa discriminação, daqui a vinte anos os futuros Vereadores estarão aqui discutindo essa matéria com o mesmo preconceito, com a mesma discriminação. Dizem uns aqui: “Eu não precisei disso e cresci muito bem, sem que a escola tivesse que se intrometer na minha vida”. Crescemos? Isso é o crescimento? Esse tipo de comportamento que aqui foi manifestado, preconceituoso, discriminatório? Eu acho que nós deveríamos ter tido em nossa educação fundamental o debate, a discussão, o entendimento que nos levasse e que fizesse com que nós crescêssemos sem o preconceito. É muito difícil tirar o preconceito do adulto. Por isso, não adianta ficar gritando aqui. Porque quem já tem sua opinião formada não vai mudar. Por isso, precisamos mudar quando se é criança. Por isso, precisamos mudar na escola, sim.
    Ou é em casa, com a ajuda dos pais! Também, também! Porque na Escola só vai ter um lado, só vai ter uma visão, não vai ter a convivência com o “Diferente”, que está na Escola! Com o “Diferente” que está na Escola! Porque o bom pai vai ensinar a mesma coisa que a boa Escola vai falar! Vai encaminhar da mesma maneira que a boa Escola vai encaminhar.
    Então, o ensino religioso foi a pior coisa que a gente passou aqui nesta Casa! Foi um crime que nós cometemos nesta Casa! Um crime! Não se ensina religião em Escola! Não se ensina credo em Escola! Religião não se ensina em Escola, em credo! Isso foi um absurdo que nós fizemos! Isso foi um absurdo! Isso vai para a Igreja e tudo.
    Outra coisa é o comportamento. É o comportamento, é o direito e o respeito às diferenças! Isso se aprende na Escola! Como se aprende Meio Ambiente! O respeito à natureza! Como se aprende a respeitar, a não cometer um ato de agressão a um Professor! Mesmo que o Professor não seja um homossexual!

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