segunda-feira, 12 de março de 2012

Entrevista de Rachel Rocha Macedo ao Jornal Tribuna de Vinhedo

Tribuna de Vinhedo entrevista Rachel Macedo Rocha, da Diversidade Tucana, advogada especialista em Gênero e Sexualidade pelo instituto de Medicina Social, além de especialista em Governo e Poder Legislativo, Rachel Macedo Rocha irá a Vinhedo para falar sobre a união homoafetiva, no dia 12, na sede
da OAB do município. Conheça um pouco mais sobre a especialista.

Tribuna de Vinhedo: Você é natural de onde?
Rachel Macedo Rocha: Sou de Presidente Bernardes - SP

T.V.: Quais são seus Hobbies?
R.M.R.: Gosto muito de fotografia. Já fiz alguns cursos. Tenho muitos álbuns de fotos. Adoro brincar com fotos, principalmente de pessoas.

T.V.: Você tem algum trabalho paralelo?
R.M.R.: Eu trabalho na Assembléia Legislativa de São Paulo e advogo com uma colega. Atuo no movimento LGBT e sou Vice Presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia da OAB/SP.

T.V.: Como você se tornou o que é hoje?
R.M.R.: Acho que me dedicando a tudo que faço.

T.V.: O que você enxerga como suas principais contribuições para a sociedade?
R.M.R.: Trabalho no Parlamento e estou sempre muito atenta às principais mudanças que possam avançar e retroceder direitos. Já atuei na elaboração de muitas leis estaduais, principalmente naquelas que contribuem para os direitos humanos. Trabalho nos bastidores e acredito que esta seja uma função/contribuição importante.

T.V.: No dia 12 você dará uma palestra na OAB de Vinhedo sobre a união homoafetiva. Poderia nos contar um pouco sobre o que abordará na palestra?
R.M.R.: Eu penso em fazer uma conversa com colegas, estudantes e pessoas interessadas no tema sobre os avanços após a decisão do Supremo Tribunal Federal. O judiciário tem assegurado os direitos de cidadãos LGBT por meio de inúmeras decisões Brasil afora. Hoje já temos decisões que reconhecem o casamento e a
adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo, esta última medida foi vetada quando da apreciação do Projeto de lei no Congresso Nacional. Além de outras questões relacionadas ao tema, caso haja interesse dos participantes.

T.V.: Como você vê a decisão tomada pelo STF que reconheceu a união estável entre homosexuais?
R.M.R.: O Supremo Tribunal Federal deu uma resposta aos anseios de uma significativa parcela da sociedade. O órgão não decidiu que os homossexuais devem se casar, apenas tratou de garantir direitos de cidadãos que trabalham, pagam seus impostos, cumprem uma série de deveres para com a sociedade e na seara jurídica eram classificados como cidadão de segunda categoria. Uma relação baseada no afeto não pode ser vista apenas como uma relação patrimonial. Nesse sentido, o Supremo cumpriu uma determinação constitucional que assegura aos sujeitos o reconhecimento da união estável, independente da orientação sexual. Mais uma vez o Judiciário saiu na frente. O julgamento, além da visibilidade das lutas do movimento LGBT, contribuiu para que uma sociedade decente não humilhe seus integrantes, como bem lembrou a Ministra Ellen Gracie em seu voto. Evidente que há muito ainda a ser conquistado, a criminalização à homofobia é um deles.

T.V.: Voltando à sua profissão, você enfrentou alguma objeção quanto alguma escolha?
R.M.R.: Se estamos falando da minha escolha profissional em defender os cidadãos LGBT, nunca encontrei objeção nenhuma por parte de meus colegas. Defender uma causa que a princípio pode parecer que não é minha, nunca foi objeto de crítica. A defesa dos direitos humanos é dever de todo cidadão. Me orgulho de ser um operador do direito. Foi uma escolha acertada.

T.V.: Como foi e como é o apoio de seus familiares e amigos à sua carreira profissional?
R.M.R.: Eu nasci numa família muito simples. Minha mãe era dona de casa e costureira. Meu pai, farmacêutico. Sou a 8ª de 10 irmãos. Meus irmãos mais velhos sempre me incentivaram muito a ler, desde criança. Um de meus irmãos comprava coleções de livros e nos presenteava com freqüência. Tomei isso como referência. Sabia que precisaria estudar pra tentar vencer na vida. E foi o que eu fiz. Depois de dois anos como procuradora da Prefeitura de Presidente Prudente, casei e me mudei para São Paulo. Fui trabalhar na Assembleia Legislativa. Durante algum tempo fiquei só na Alesp, meus filhos eram pequenos e não contávamos com um apoio familiar em São Paulo. Assim que eles foram para escola, retomei meus estudos. Sempre contei muito com a colaboração de meu companheiro, colegas de trabalho e amigos.

T.V.: O que você enxerga como pontos positivos e negativos da profissão?
R.M.R.: Como ponto positivo eu vejo a minha profissão como um importante instrumento que contribui para assegurar direitos. Com relação aos pontos negativos, não sei se posso considerar minha observação como tal, mas avalio como negativa a discriminação que ainda persiste na sociedade em relação aos salários das mulheres, não apenas das advogadas, mas de qualquer outra profissão. Veja bem, estamos no século XXI e as mulheres ainda continuam a ter salários inferiores aos homens, apesar da aparente igualdade entre os sexos.

T.V.: Quais momentos da sua vida merecem maior destaque?
R.M.R.: Do ponto de vista pessoal, o nascimento de meus dois filhos. No campo profissional, a primeira decisão de retificação de nome de uma transexual. Ajudar alguém a conquistar a sua real identidade foi como ajudá-la a nascer de novo. Por mais profissionalismo que você empregue neste tipo de ação, há muito mais que isso. Não tem como ficar indiferente.

T.V.: Uma frase que possa defini-la.
R.M.R.: Deixo que a imaginação das pessoas encontre uma frase que possa me definir.

T.V.: O que motiva o trabalho que você faz hoje?
R.M.R.: Acreditar que meu trabalho ajudará a construir uma nação onde haja lugar para todos e todas as pessoas, independente de raça, cor, sexo, condição social, deficiência, etnia e orientação sexual.

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