sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Nota oficial: Mais um veto vergonhoso

Nesta semana, o Governo de Dilma Rousseff deixou mais do que claro quem manda: os religiosos fundamentalistas que desejam obstruir qualquer tipo de política pública que reconheça Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais como cidadãs e cidadãos.

Um ano atrás, a presidente pessoalmente vetou a distribuição do Kit Escola Sem Homofobia, em uma negociação escusa com a Bancada Evangélica em troca da não convocação do ministro corrupto Antonio Palocci para dar explicações ao Congresso Nacional. Agora é a vez do Ministério da Saúde vetar a publicação de um vídeo voltado especificamente para homens gays na campanha de prevenção ao HIV/Aids durante o Carnaval.

Homens jovens gays estão entre os segmentos da sociedade com maiores índices de exposição ao HIV, e o veto à campanha configura um retrocesso vergonhoso para o país que já teve, quando José Serra era ministro da Saúde, um programa de combate ao HIV/Aids considerado modelo pela ONU, em que um dos pontos fortes era exatamente o reconhecimento ao protagonismo do Movimento LGBT na capilarização de suas ações.

Aliás, naquele mesmo período do Governo Fernando Henrique Cardoso, o Ministério da Saúde veiculou em horário nobre de rede nacional de televisão uma campanha em que um jovem gay era encorajado pela família, com a mensagem de que "respeitar as diferenças é tão importante quanto usar camisinha". Dez anos depois, em vez de evoluir, regredimos.

A verdade é que o governo de coalizão idealizado pelo pragmatismo petista empoderou algumas das mais retrógradas figuras da política brasileira e emperrou importantes debates para a nossa sociedade. Afim de evitar polêmicas com essa base, o Governo é igualmente retrógrado na questão LGBT.

Em 2002, ao fim do Governo FHC, o Brasil acompanhava alguns dos mais modernos países do mundo na evolução da abordagem da questão LGBT, fruto da luta de décadas de um movimento comprometido e aguerrido. Hoje, até mesmo as e os LGBT que vivem sob a ditadura cubana têm mais garantida sua cidadania que as e os LGBT brasileiras e brasileiros.

A demagogia de discursos vazios, de editais que garantem a simpatia de setores pelegos do Movimento LGBT e a realização de conferências sem resultados, não esconderão os graves ataques deste governo à laicidade do Estado e à garantia dos direitos humanos de LGBT.

O Diversidade Tucana repudia mais esta postura homofóbica do Governo do PT e vem a público cobrar uma postura mais assertiva da ABGLT e do Conselho Nacional LGBT, que em repetidas ocasiões como esta demonstram-se preocupantemente vacilantes. O papel dessas instituições deveria ser a defesa inequívoca da cidadania LGBT, acima dos interesses político-partidários.

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