Parada Gay, em Ribeirão Preto, reúne entidades que lutam por diversidade sexual

A 7º Parada Gay de Ribeirão Preto reuniu, neste domingo (21), um público de 5 mil pessoas, segundo a GCM (Guarda Civil Municipal. Entretanto, a organização do evento fala em 15 mil participantes. A concentração de homossexuais e simpatizantes por uma causa serve como alerta para um problema antigo, mas que ganhou espaço há pouco tempo: o respeito à diversidade sexual.

De acordo com dados do último Censo, há 500 casais gays que vivem juntos em Ribeirão. Segundo levantamento da Associação Rosa Vermelha, o número de homossexuais na cidade atinge os 20% da população, ou seja, 121 mil ribeirão-pretanos.

Em setembro a região será palco do primeiro casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. Um casal de lésbicas de Jardinópolis. O Brasil tem casos de conversão de união estável, porém, este será um casamento.

A presidente da Associação Rosa Vermelha, Joana D’arc Costa, acredita que desde a primeira Parada Gay de Ribeirão, em 2005, a sociedade teve um grande avanço nas questões relacionadas aos homossexuais e que eventos como a Semana da Diversidade Sexual ajudam a superar estes tabus.

Preconceito

Porém, ainda assim, há desafios. Na semana passada um outdoor publicado por uma igreja evangélica causou polêmica, ao dizer que a relação sexual entre pessoas do mesmo sexo é abominável. "As pessoas podem até se manifestar, desde que não ofendam o movimento gay", afirma o presidente da ONG Arco-íris, Fábio de Jesus Silva.

Para o juiz da 2º Vara da Família, Márcio Violante, o conceito de família está sendo ampliado.

Igreja

A Igreja Anglicana do Brasil de Ribeirão Preto participou neste domingo (21) da 7ª edição da Parada Gay para apoiar a relação homoafetiva, numa posição bastante contrária da igreja evangélica Casa de Oração - que usou outdoor para divulgar mensagem contra homossexualidade.

O arcebispo da Anglicana, Dom Ricardo Lorite de Lima, disse que a igreja se coloca a disposição para celebrar casamentos de homossexuais no religioso. "A nossa igreja tem a postura de aceitar todos, porque são filhos de Deus, sem qualquer distinção. Se houver o interesse de algum casal para receber a bênção, basta nos procurar", disse.

O desfile começou na avenida Nove de Julho por volta das 15h30 e seguiu pela Presidente Vargas e Antônio Diederichsen.

A coordenadora de Políticas Públicas para a Diversidade Sexual da Secretaria Estadual da Justiça e Defesa da Cidadania, Heloísa Gama Alves, disse que o evento é de extrema importância. "É um movimento que leva a sociedade a refletir sobre o caso", afirmou.

Discriminação

Segundo a coordenadora Estadual de Políticas para a Diversidade Sexual da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo, Heloisa Gama Alves, 40 processos foram instaurados por discriminação no estado entre janeiro e agosto deste ano. Este número é maior que a quantidade de processos instaurados no ano passado, apenas 30 casos.

Heloisa diz que esses números não condizem com a realidade enfrentada pelos homossexuais. "Não existe uma legislação que puna a homofobia. É preciso criar urgentemente uma lei federal que criminaliza os insultos homofóbicos", destaca a coordenadora.

De acordo com a lei nº 10.948, de 5 de novembro de 2001, toda manifestação atentatória ou discriminatória praticada contra homossexual, bissexual ou transgênero será punida.

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