Dia do Orgulho Hétero – Posição da Executiva Municipal de São Paulo do Diversidade Tucana

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou o Projeto de Lei 294/2005, que institui o Dia Municipal do Orgulho Heterossexual. Em que pese a justificativa absurda do vereador autor da proposição, cuja intenção é tão somente servir-lhe de palanque eleitoreiro, o Dia do Orgulho Heterossexual está pautado em “um dos direitos mais importantes do ser humano”, segundo seu autor, “o livre arbítrio que abrange a escolha da profissão, lugar do domicílio, estado civil” e até mesmo o respeito às diferentes orientações sexuais e/ou identidades de gêneros.

Somos inteiramente favoráveis à defesa da dignidade da pessoa humana e, aqui, gostaríamos de externar que nós lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, temos, em muitas das vezes, orgulho dos heterossexuais que são nossos pais. Principalmente quando esses pais nos ensinam o respeito ao próximo, a honra, a ética.

O próprio autor do projeto, em sua justificativa escreve: “como cristão aprendi a respeitar a todas as pessoas, até porque não sou juiz do comportamento sexual de ninguém. Cada ser humano pode fazer do seu corpo aquilo que bem entender, neste sentido aprendi a respeitar os homossexuais e as lésbicas”.

Então, que sua justificativa deixe o papel e passe à prática, porque o respeito passa pela tolerância e a tolerância passa pela aceitação da diferença, da enorme diversidade humana que compõe não só nossa Cidade de São Paulo, mas nosso Estado e nosso País.

São essas diferenças que nos fazem um povo de muitas faces, de muitas crenças, de muitas etnias, de muitas orientações sexuais. Tanto que, na Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, as pesquisas já apontam para uma porcentagem igualitária entre homossexuais e heterossexuais, na divisão de 50% para cada lado, todos caminhando juntos, com orgulho e simpatia a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

Não somos favoráveis ao orgulho que se torna soberba, pois a soberba é um sentimento negativo caracterizado pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, levando a manifestações ostensivas de arrogância, por vezes sem fundamento algum em fatos ou variáveis reais. As manifestações de soberba podem ser individuais ou grupais. Em termos grupais, podemos exemplificar o nacionalismo xenófobo como uma faceta da soberba. Também todos os tipos de racismo, corporativismo, elitismo, doutrina de povos escolhidos ou eleitos e outras concepções semelhantes, em que um grupo se firma na crença de que é superior, demonstram matizes da soberba.

E, dessa forma, gostaríamos de lembrar ao autor do projeto que, não são homossexuais que “se dizem discriminados ou perseguidos, tentando aprovar leis que lhes concedam privilégios”. E, como prova, gostaria que o nobre autor, ampliasse seu olhar enclausurado no Palácio Anchieta para notícia recentemente veiculada na mídia divulgando um ataque homofóbico a um pai e seu filho.

Portanto, lembramos ao nobre autor, que essa “lei de privilégios”, na realidade irá combater casos de homofobia contra toda e qualquer pessoa, garantindo que pessoas heterossexuais possam expressar, não somente o orgulho, mas o carinho entre pai e filho, mãe e filha, irmãos, etc. Porque expressar afeto e carinho não é motivo de vergonha, mas sim de orgulho! Então, que venha o Dia do Orgulho de Expressar Afeto e Carinho entre todos os Seres Humanos, sem distinção de raça, cor, credo, sexo, orientação sexual, identidade de gênero, geracional, e muitas outras.

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