segunda-feira, 25 de julho de 2011

São Paulo já tem mais agressões a gays do que em 2010

Os números de processos administrativos e denúncias de discriminação contra homossexuais e negros em São Paulo estão aumentando, informou neste domingo o jornal O Globo. Segundo o jornal, o governo de São Paulo já instaurou, apenas este ano, mais processos administrativos de discriminação contra homossexuais do que em todo o ano passado. Foram 40 este ano, contra 33 em 2010 e 23 em 2009, a maior parte de agressão verbal. Na última semana, o Estado de São Paulo registrou pelo menos um caso de violência envolvendo homofobia, o de agressores que deceparam parte da orelha de um pai que abraçava o filho por pensarem que eram gays.

No país, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH) afirmou que já recebeu 560 denúncias de casos que teriam vitimado homossexuais.

Os registros foram feitos no Disque 100 da SEDH, que há seis meses passou a receber esse tipo de ocorrência. São Paulo é o estado com mais registros: 105. Em seguida vêm Bahia (52 casos) e Minas Gerais (50). O Rio tem 34 denúncias.

A maior parte é de violência psicológica (43%). Depois vêm discriminação (31%), violência física (14%) e violência sexual (5%).

Os acusados - que podem ser pessoas físicas ou jurídicas - podem ser punidos com multa de até R$52.350 e cassação de licença para funcionamento, graças a uma lei estadual.

As mesmas penas podem ser aplicadas a quem discriminar pessoas devido à sua raça. De junho de 2009 a julho de 2010, a Secretaria de Justiça recebeu nove denúncias de racismo, mas o número saltou para 68 de 2010 para 2011.

O governo paulista atribui o crescimento dos números ao aumento de canais disponíveis para denúncias.

A quantidade de mortes violentas de gays, lésbicas e travestis também está aumentando, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB). Este ano, 126 foram assassinatos. Em 2010, foram 260, 62 a mais que em 2009.

"Os quadros de intolerância são cada vez mais graves por causa da organização crescente dos grupos de ódio, e, por outro lado, por causa da banalização das condutas de indivíduos que agem como se intolerância fosse um signo de normalidade", explica o professor de ciências sociais da Universidade Cruzeiro do Sul Rodrigo Medina, que estuda grupos de ódio formados por facções de skinheads e por neonazistas.

A coordenadora do Laboratório de Estudos da Intolerância (LEI) da Universidade de São Paulo, Zilda Iokoi, acrescenta outras causas da intolerância: as raízes históricas de racismo, as manifestações radicais de igrejas, e a falta de perspectiva de emprego dos jovens, que seriam os principais responsáveis por delitos.

"Vivemos um momento muito complexo nas relações entre as pessoas. Cada vez mais a existência das diferenças incomoda determinados grupos", afirma Zilda.

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