quinta-feira, 21 de julho de 2011

Estudo aprova gays em novela

Em contraste à decisão da direção da Globo de minimizar a trama do casal Eduardo (Rodrigo Andrade) e Hugo (Marcos Damigo) na novela Insensato Coração,um estudo mostra que os gays das telenovelas contribuem para que parte da audiência atribua mais qualidades boas à causa LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros. A maioria das pessoas continua assistindo ao folhetim após o personagem aparecer. Ateus e agnósticos são os que mais rechaçam tramas do gênero, seguidos por evangélicos, apesar de esse número afetar pouco a audiência final.

É isso o que mostra a dissertação de mestrado Os Efeitos de Personagens LGBT de Telenovela na Formação de Opinião dos Telespectadores sobre a Homossexualidade a que o Estado teve acesso com exclusividade, defendida em 2009 na Universidade Pontifícia Católica (PUC - SP), pelo jornalista, professor de Comunicação da Uninove e mestre em Comunicação e Semiótica Welton Trindade.

Trindade provou que a telenovela tem papel educativo e transformador na opinião dos telespectadores heterossexuais a respeito da causa LGBT, contribuindo para a diminuição da homofobia. Realizada no Distrito Federal, com 260 telespectadores heterossexuais de novelas, com mais de 16 anos, que assistiram a uma das seis novelas das 9 de 2004 a 2008 na Globo. As proporções de sexo, idade, classe social foram feitas exatamente de acordo com o perfil de audiência da trama das 9. O número de 260 pesquisados foi considerado ideal por cálculos de proporcionalidade dos quase 488 mil telespectadores do DF.

Considerando que 51,8% dos pesquisados não conviviam com gays, mas todos assistiram a tramas e personagens LGBT, "a telenovela coloca mais da metade dos telespectadores em contato com um universo que extrapola seu cotidiano, trazendo-lhes novas questões para lidar. E conhecendo-as, deixam de estranhá-las", diz Trindade.

A respeito da reação dos espectadores quando personagens gays aparecem, 23% dos entrevistados afirmam que passaram a aceitar os gays com o tempo. Dentre estes que mudaram de opinião, 18,6% citam os meios de comunicação como causa.

"O fato de ter "convivido" com homossexuais na telenovela causou importantes mudanças nos telespectadores", diz a pesquisa, que ainda mostra que 39,4% dos questionados passaram a atribuir mais qualidades boas a LGBT por influência dos folhetins.

Classe C. Conforme adiantou o colunista Marcelo Rubens Paiva, em seu blog no Portal Estado, na última segunda-feira: "cenas já gravadas não vão mais para o ar. E de nada adiantou a militância dos autores da novela, Gilberto Braga e Ricardo Linhares, que fizeram de Insensato um palaque em defesa da causa."

Por meio de nota, a Globo afirma: "Nossas tramas registram a afetividade e o preconceito, mas não cabe exaltação. Cabe, sim, combater a intolerância, o preconceito e a discriminação contra elas, o que temos estimulado cotidianamente inclusive por meio de campanhas".

Os autores da trama não se manifestaram. Autor da novela do SBT, Amor e Revolução, Tiago Santiago acredita em pressão comercial. "E não só uma pressão da classe C, mas da D e E também. Quanto mais baixa a classe, maior o preconceito", crê.

Dados do instituto Data Popular, especialista em classe C, apontam que a aceitação de um indivíduo, independente de sua orientação sexual, pouco varia entre as classes sociais. Há empate, inclusive, entre as classes A, B e C, nicho em que 78% das mulheres e 70% dos homens aceitam homossexuais.

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