sexta-feira, 6 de maio de 2011

Por um Brasil mais justo

O Brasil acorda hoje mais livre, mais humano, menos preconceituoso. Vivemos ontem, no Supremo Tribunal Federal, um dia histórico, de um passo importante na defesa dos direitos humanos. A decisão unânime do Supremo Tribunal Federal, ao reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo, não se rendeu aos dogmas e ao preconceito. Venceu a humanidade perdeu a intolerância, os conservadores e os homofóbicos.

Este julgamento, além da visibilidade das lutas do movimento LGBT contribuiu para mostrar à sociedade que uma sociedade decente não humilha seus integrantes, como bem lembrou a Ministra Ellen Gracie em seu voto. Evidente que há muito ainda a ser conquistado, o combate à homofobia é um deles, esta é sem dúvida uma luta mais difícil de ser lutada, mais desigual.

Os votos dos ministros, no geral, foram emocionantes, uns mais técnicos, outros mais apaixonantes, a justificativa, entretanto, uma só: a dignidade da pessoa humana.

A decisão mostrou, mais, que o direito deve existir para a vida e acompanhar as mudanças no estrato da sociedade e não o contrário, a propósito da citação da Ministra Cármem Lúcia.

Que fique claro, ainda, que a decisão, além de comungar com a ordem jurídica constitucional não contraria o direito ao pensamento de cada um, posto que aprendemos desde o nascimento que devemos amar uns aos outros.

Acredito que a partir de hoje, ainda que este fato não represente uma mudança de estado das coisas do dia pra noite, ele vai certamente mostrar para os quatro cantos deste país que não há mais lugar para o preconceito e que já passou da hora da sociedade brasileira enfrentá-lo, particularmente o Congresso Nacional.

Diz uma canção que viver é melhor que sonhar, porém nada melhor que acordar feliz por viver um sonho sonhado.

Há alguns anos li um artigo de um escritor israelense, Amos Oz, na Folha de São Paulo, em que este convocava os cidadãos do mundo em busca de uma solução ao eterno conflito na faixa de gaza. O artigo dizia que cada um de nós tem uma "colherzinha" dentro de si, e que esta colher deve ser enchida de água quantas vezes for possível para se atirar sobre as chamas da guerra.

No Brasil de hoje, cada um de nós deve seguir o exemplo daquela convocação e usar a nossa "colherzinha" para combater o preconceito e violências de toda ordem.

Rachel Macedo Rocha, é advogada, Pós-Graduanda em Gênero e Sexualidade pela UERJ e Vice Presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia da OAB/SP

Nenhum comentário:

Postar um comentário