Crise Palocci: um caso de “Capitalismo de Estado”?

A primeira grande crise do Governo Dilma passa por uma suspeita de relação inapropriada de benefícios entre o poder público e o privado. O jornal “Folha de S. Paulo” detonou informações que provocaram protestos da oposição, que defende uma CPI, sobre o crescimento dos bens patrimoniais do ministro Antonio Palocci, cuja empresa de consultoria faturou R$ 20 milhões em 2010, ano que Palocci coordenou a campanha que elegeu Dilma. O jornal também mostra que a empresa WTorre, é beneficiária de uma série de contratos com o poder público, foi uma das clientes de Palocci.

O “Capitalismo de Estado” conceito que explica o uso equivocado do Estado dos bens públicos, para beneficiamento de uma estrita rede privada e para o próprio beneficiamento, é combatido pelos especialistas do Millenium como o economista Rodrigo Constantino no artigo de mesmo nome.:

A crença de que o Estado é o “pai do povo” permite a privatização do espaço público por uma “patota” populista. O Estado fica muito mais forte do que a sociedade. Burocratas e políticos passam a controlar a máquina estatal. A privatização do Estado ocorre através das práticas de nepotismo e clientelismo, e as leis deixam de ser isonômicas, passando a representar um braço dos privilégios da “grande família” no poder.

Como definiu Octavio Paz, “o patrimonialismo é a vida privada incrustada na vida pública”. No capitalismo de Estado, a política deixa de ser um meio para alavancar os negócios; ela é o grande negócio em si. O princípio básico do modelo é a privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos. Quem não faz parte do andar de cima acaba pagando a conta. A variável política tem preponderância sobre a econômica. A troca de favores é o meio para o sucesso, não a meritocracia ou a eficiência. O melhor atributo é ser um “amigo do rei”.

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