quinta-feira, 14 de abril de 2011

Bolsonaro nega racismo em defesa à Câmara e pede provas de homofobia

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) entregou, nesta quarta-feira, sua defesa à corregedoria da Câmara dos Deputados. O parlamentar é citado em processo que tramita na instância, onde é acusado de racismo e homofobia. O deputado foi alvo de inúmeras denúncias por suas declarações a um programa de televisão.

"São dois itens: racismo e homofobia. A questão do racismo acho que sepultei desde o primeiro dia. Fica na cara que minha resposta não bate com a pergunta. Já sobre a homofobia, não houve acusação formal, ela foi muito genérica. Não há provas de que fui homofóbico, como bater ou perseguir gays. Homofobia é se eu tivesse perseguindo homossexuais, dando pancada, falando pro pessoal da (avenida) Paulista bater", disse ele.

O corregedor da Câmara dos Deputados, Eduardo da Fonte (PP-PE), tem 45 dias úteis para formular um parecer sobre o assunto. O prazo pode ser prorrogado. O corregedor pode solicitar, entre outras punições, desde a censura verbal ou escrita, até a abertura de um processo por quebra de decoro parlamentar, a ser movido pelo Conselho de Ética da Casa. Se essa sugestão for aceita, Bolsonaro pode até mesmo perder o mandato.

Sempre polêmico, o parlamentar sugeriu que uma pessoa torna-se homossexual caso os pais tenham sido negligentes com a educação da criança. "Quando é pequeno, se você consegue mudar um comportamento violento de um filho teu, que começa a chutar a tua canela, jogar pedra na vidraça do vizinho, a xingar o pai, a praticar pequenos furtos, e você não consegue endireitá-lo, só tem um caminho: é dar um 'couro' nele. Pode me chamar de quadrado, eu teria vergonha de ser omisso com a educação de um filho meu se ele se transformasse num gay no futuro. É a minha opinião", afirmou Bolsonaro.

Ele voltou a criticar a distribuição de um kit nas escolas públicas, uma tentativa do governo de barrar a homofobia entre as crianças e adolescentes. "Tive acesso 'ao kit gay', são três filmes. Tive acesso às fitas e são coisas absurdas. Não posso admitir e ficar calado quando um tsunami cor de rosa está invadindo nossas escolas com um material dito pedagógico para combater a homofobia, mas que na verdade promove a homofobia", disse o deputado.

Repercussão no país inteiro

Polêmica

Durante o programa CQC, da TV Bandeirantes, veiculado no dia 28 de março, em resposta à cantora Preta Gil, que perguntou ao deputado o que ele faria se seu filho se apaixonasse por uma mulher negra, Bolsonaro respondeu: "Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu". No entanto, o deputado afirmou em nota que entendeu errado a pergunta e achou que a artista se referia a uma relação homossexual.

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