Países que formam a sigla "Bric" não são mais considerados emergentes

O rótulo de “economia emergente” não vale mais para o Brasil. Foi isso que informou, nesta quinta-feira (31), o presidente da gestora de ativos da Goldman Sachs, Jim O’Neill. Ele não se referiu, porém, especificamente apenas ao Brasil. O’Neill é o criador do termo Bric - a sigla para Brasil, Rússia, Índia e China, os quatro países que mais prometem economicamente neste século -, e, segundo ele, esses quatro gigantes já precisam ser incluídos em uma nova categoria, uma vez que já deixaram de ser emergentes (embora ainda não tenham chegado ao rol dos países desenvolvidos).

Jim O’Neill citou como exemplo para sua nova tese os avanços da China e Brasil, os dois Bric que crescem às maiores taxas e já se encontram entre as sete maiores economia do mundo - Índia e China estão logo atrás, e nos próximos anos também devem entrar na lista. Para ele, portanto, referir-se a essas nações como “emergentes” já não faz sentido.

“Os Bric, junto com alguns outros países, merecem um status diferente de muitos outros que podem ser corretamente classificados como mercados emergentes", afirmou. Ele ressaltou ainda que o próprio Brasil tornou-se a sétima economia do mundo "dez anos antes do que pensava".

A própria Goldman Sachs, de Jim, já classifica os quatro países em uma categoria à parte, chamada de “mercados de crescimento” em seus relatórios. Também fazem parte desse novo espectro econômico a Coreia do Sul, Indonésia, México e Turquia - que estão, entretanto, “muito longe” dos Bric em termos de importância econômica, escreveu Jim O'Neill para o jornal britânico Times.

O termo Bric foi criado na virada do século para ressaltar a importância dessas quatro grandes economias no cenário mundial. Desde então, as taxas de crescimento de todos os quatro têm superado as expectativas, e já se espera que as economias dos Bric, juntas, superem a dos sete países mais industrializados do mundo até 2027. Só até 2020, a previsão é de que o Produto Interno Bruto (PIB) combinado deles chegue a US$ 25 trilhões.

"Em algum momento nesta década, eles superarão, juntos, os Estados Unidos. Meu palpite é que isso poderia ocorrer em torno de 2017-2018”, afirma O’Neill.

O economista diz que ser reclassificado de "mercados de crescimento" não implica que Brasil, Rússia, Índia e China "vão crescer todos os anos". "Eles crescerão em ciclos, como todos os outros. O que queremos com isso é indicar que, à medida que a economia global continue rastejando nessa década, a proporção deles no PIB global deve aumentar."

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